O tradicional espetáculo das quadrilhas juninas de Campina Grande e da Região Agreste não acontecerá este ano dentro da pirâmide do Parque do Povo, espaço simbólico do “Maior São João do Mundo”. A decisão foi anunciada por Lima Filho, presidente da Asquaju_cg — Associação de Quadrilhas Juninas de Campina Grande — e, segundo ele, foi aprovada por unanimidade em assembleia que reuniu os representantes das 35 quadrilhas da região, representando mais de 4 mil quadrilheiros.
A medida, segundo Lima Filho, é resultado de um histórico de desvalorização, promessas atrasadas e falta de diálogo com o poder público municipal. Em pronunciamento oficial, o presidente explicou que, desde sua posse, em janeiro, tenta estabelecer um canal direto de comunicação com a Prefeitura de Campina Grande e com a Secretaria de Cultura, mas não obteve retorno.
“Eu tentei contato com o WhatsApp pessoal do prefeito, com a Secretaria de Cultura — que sequer tem secretário titular — e até com a secretária particular do prefeito. Nenhuma dessas tentativas gerou uma reunião, uma resposta, nada”, desabafou.
Lima Filho destacou que o problema é recorrente e que, historicamente, os convênios com as quadrilhas só são firmados às pressas, na última semana de maio, geralmente após ameaças de protesto por parte dos grupos culturais. “Eu avisei que não ia protestar, que não ia tocar fogo em pneu, como já aconteceu no passado. Mas que também não aceitaria a desvalorização. E esse ano, sem ser ouvido, a Associação buscou uma solução.”
A solução, neste caso, foi a retirada dos espetáculos da pirâmide, palco onde, tradicionalmente, as quadrilhas realizam suas apresentações para o grande público do Parque do Povo. Lima ressaltou que os grupos sempre entregaram 35 espetáculos completos, todos os dias de evento, como parte do convênio com a Prefeitura.
“Esse não é um movimento político, é um movimento de dignidade e respeito com a cultura junina. A decisão foi homologada em ata, aprovada por todos os presidentes de quadrilhas, e só assinamos contrato após aprovação coletiva. O São João é uma construção cultural de décadas, e as quadrilhas merecem respeito”, concluiu.
Com a decisão, o São João 2024 de Campina Grande perde uma das atrações mais genuínas e tradicionais da festa. A ausência dos espetáculos na pirâmide representa mais um desgaste para a gestão de Bruno Cunha Lima.