O Ministério Público da Paraíba (MPPB) instaurou, nesta quinta-feira (22), um inquérito civil para apurar uma suposta negociação ilícita envolvendo o prefeito de Caaporã, Chico Nazário (União Brasil), o ex-secretário de Articulação Política, Sandro Trajano, e empresas privadas interessadas na aprovação de matérias legislativas e na concessão de terrenos pertencentes ao município.
De acordo com o MP, os terrenos que teriam sido “negociados” estão localizados no Distrito Industrial e no Parque Industrial de Caaporã, áreas estratégicas e de alto interesse para empresários ligados ao setor produtivo.
A promotora de Justiça Erika Bueno Muzzi, responsável pelo procedimento, considerou que a gravidade do conteúdo de áudios vazados — que trazem diálogos entre o prefeito e o ex-auxiliar e foram divulgados pela imprensa — é suficiente para justificar a abertura do inquérito.
Diante disso, o Ministério Público concedeu prazo de 15 dias para que o prefeito Chico Nazário apresente esclarecimentos formais sobre as denúncias. O mesmo prazo foi estabelecido para o presidente da Câmara Municipal de Caaporã, vereador Oto Mariano (Mobiliza).
No caso do chefe do Legislativo, o MP cobra informações detalhadas sobre a tramitação dos projetos de lei supostamente negociados, além de questionar se houve a abertura de algum procedimento interno na Câmara para apurar os fatos.
Prefeito também é investigado por crimes eleitorais
Além desse inquérito, Chico Nazário já é alvo de outra investigação no Ministério Público da Paraíba, desta vez por suspeita de crimes eleitorais. O caso teve início após o vazamento de um vídeo em que o prefeito aparece abrindo uma bolsa contendo dinheiro em espécie, fato que também repercutiu amplamente nos meios políticos e na imprensa.
Secretária de Saúde é exonerada em meio a tensão interna
Outro episódio que agravou a crise na gestão municipal foi a exoneração da secretária de Saúde, Jéssica Falcão. A saída da gestora ocorreu em meio a um ambiente de forte tensão interna e foi anunciada por ela própria por meio de uma longa nota pública divulgada nas redes sociais.
No comunicado, Jéssica afirma encerrar um ciclo à frente da pasta, destaca seu compromisso com o Sistema Único de Saúde (SUS) e com a população de Caaporã, e diz deixar o cargo “com a cabeça erguida, a consciência tranquila e o coração em paz”.
Apesar do tom institucional, informações de bastidores indicam que a exoneração não teria sido voluntária. A principal razão do desgaste estaria relacionada à recusa da então secretária em assinar manobras financeiras na Secretaria de Saúde.
A negativa teria como fundamento mudanças recentes na legislação, que passaram a atribuir responsabilidade direta aos ordenadores de despesa — função exercida pelo titular da pasta. Em eventual investigação, possíveis irregularidades poderiam recair pessoalmente sobre a secretária, inclusive com riscos administrativos e penais.
Fontes afirmam que, ao se negar a assumir riscos jurídicos, Jéssica Falcão acabou entrando em rota de colisão com a gestão, o que teria culminado em sua saída do cargo.
Na nota, ela afirma que a decisão partiu da administração municipal e que seguirá contribuindo com a gestão em outra função, embora não especifique qual.
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