A gestão do prefeito de Jackson Alvino tem tentado atribuir ao presidente da Câmara Municipal, Epitácio Viturino, a responsabilidade pelo impasse envolvendo o orçamento destinado ao São João de Santa Rita.
Nos bastidores, aliados do prefeito têm intensificado o discurso com o objetivo de desgastar a imagem do parlamentar junto à opinião pública, apontando-o como responsável por “travar” a realização do evento.
Em entrevista à imprensa local, Epitácio negou qualquer oposição ao São João e rebateu as acusações, transferindo a responsabilidade para a base governista.
“O motivo de não estar em pauta deveria ser perguntado ao líder da bancada do prefeito, porque os vereadores estão se retirando da sessão. Quando há veto, a pauta fica travada”, afirmou. Ele também destacou que parlamentares da base acumulam faltas nas sessões.
O presidente da Câmara reforçou ainda que não é contra a realização do evento, mas defendeu maior rigor na análise dos gastos públicos.
“Eu não posso pegar um projeto que pede R$ 13 milhões para investir numa festa sem fiscalizar. Se não for assim, não precisa ter vereador”, declarou.
Apesar das críticas da gestão municipal, o cenário político aponta que o impasse vai além da atuação da presidência da Casa. No início do ano, o prefeito sofreu uma derrota significativa durante a votação da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026.
Mesmo com maioria, a oposição conseguiu aprovar todas as emendas por 10 votos a 9. O resultado só foi possível porque vereadores da própria base governista votaram a favor das mudanças.
Entre as medidas aprovadas, está a redução do poder de remanejamento do Executivo, limitado a apenas 5% do orçamento — o que impacta diretamente a gestão financeira, incluindo eventos como o São João.
Após a votação, houve desgaste na relação entre o Executivo e sua base. Servidores ligados a vereadores foram exonerados, embora parte dos espaços tenha sido posteriormente recomposta.
Nos bastidores, a avaliação é de que a crise política no município está diretamente ligada à dificuldade de articulação do prefeito com sua própria base na Câmara. Ainda assim, a gestão segue tentando responsabilizar o presidente da Casa pelo impasse.


