A retirada de atribuições da secretária executiva de Segurança Urbana e Cidadania de João Pessoa, Capitã Rebeca, abriu um imbróglio interno na gestão da segurança municipal.
Uma portaria publicada no Diário Oficial do Município da última quarta-feira (7), assinada pelo secretário de Segurança Urbana e Cidadania, João Almeida, revogou o ato que designava Rebeca para a coordenação da fiscalização dos horários de trabalho e da distribuição dos plantões extras da Guarda Civil Municipal. A capitã exercia essa função desde maio do ano passado.
A decisão ocorre após uma sequência de polêmicas envolvendo a atuação da secretária executiva e a divulgação frequente de operações da Guarda Municipal em suas redes sociais. Internamente, as publicações passaram a ser alvo de críticas, sob o argumento de que haveria uso da estrutura da secretaria para promoção pessoal.
Entre os episódios mais comentados estão vídeos de operações contra flanelinhas em áreas da cidade e uma fiscalização no entorno do Farol do Cabo Branco, no bairro do Seixas, onde foram registradas pessoas mantendo relações sexuais em área de mata. As imagens tiveram ampla repercussão e dividiram opiniões.
Após a publicação da portaria, Capitã Rebeca se manifestou brevemente nas redes sociais. Em postagem no Instagram, afirmou que ainda tentava entender a decisão e que falaria posteriormente sobre o assunto.
O secretário João Almeida tratou de minimizar o desgaste. Em entrevista à imprensa, afirmou que a revogação foi apenas uma “correção administrativa” de uma portaria considerada irregular e inconstitucional. Segundo ele, não houve punição nem afastamento da capitã das ações operacionais.
“Ela continua na rua, trabalhando normalmente. Revoguei um ato ilegal, simples assim”, disse.
João Almeida também negou qualquer retaliação em razão da repercussão dos vídeos e chegou a criticar tentativas de associar a decisão a perseguição ou vitimização, reforçando que segurança pública, segundo ele, “é eficiente quando não aparece”.
Apesar do discurso oficial, o episódio evidencia um clima de desconforto dentro da SEMUSB e expõe divergências sobre limites institucionais, e uso de redes sociais dentro da gestão pública.


