O líder da oposição na Câmara Municipal de João Pessoa, vereador Milanez Neto, fez duras críticas à situação da saúde pública da Capital durante sessão ordinária realizada nesta terça-feira (1º). Na tribuna, o parlamentar atribuiu parte dos problemas ao governo do ex-prefeito Cícero Lucena, atual candidato ao Governo da Paraíba, e desafiou a bancada governista a ampliar o debate sobre o setor.
Milanez propôs a aprovação de um requerimento para convidar o médico Alexandre César, ex-diretor do Complexo Hospitalar de Mangabeira, o Trauminha, a prestar esclarecimentos sobre a situação da rede municipal. O vereador também sugeriu a participação do secretário Municipal de Saúde, Luiz Ferreira, no debate.
As críticas foram feitas durante um embate com o líder do governo, vereador Bruno Farias. Milanez contestou comparações com a administração do ex-prefeito Luciano Cartaxo e afirmou que, após cinco anos e nove meses da gestão iniciada por Cícero Lucena, não seria razoável atribuir os atuais problemas da saúde ao governo anterior.
“Depois de cinco anos e nove meses, ter que vir o governo de Luciano para justificar o desgoverno do ex-prefeito Cícero ou é uma paixão recolhida ou é um sentimento de saudade”, ironizou.
Milanez cobra endereço de UPAs prometidas
Um dos principais pontos levantados pelo oposicionista foi a promessa de construção de duas novas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Milanez afirmou que os equipamentos teriam sido prometidos por Cícero nos planos de governo das eleições de 2020 e 2024 e cobrou da bancada governista informações sobre a execução dos projetos.
“Eu queria que Vossa Excelência estivesse em plenário para dar o endereço das duas UPAs construídas pelo prefeito Cícero Lucena”, provocou, dirigindo-se a Bruno Farias.
Milanez comparou a situação à administração de Luciano Cartaxo e citou três UPAs que, segundo ele, foram construídas durante a gestão do ex-prefeito.
O vereador também mencionou problemas no Pronto Vida e afirmou que a unidade chegou a ser interditada pelo Conselho Regional de Medicina (CRM). Em outro momento, questionou a situação do prontuário eletrônico utilizado pela rede municipal.
Vereador diz que sistema teria sido retirado por falta de pagamento
Milanez sustentou na tribuna que a interrupção do prontuário eletrônico teria ocorrido por falta de pagamento à empresa responsável pelo serviço. Ele cobrou explicações da Prefeitura e afirmou estar disposto a apresentar provas caso a versão seja contestada.
“Foi retirado o sistema por falta de pagamento e, se Vossa Excelência insistir, eu vou lhe provar o que estou dizendo aqui”, declarou.
O parlamentar ainda citou a empresa Novatech e afirmou que o caso envolvendo o sistema eletrônico precisa ser esclarecido. As declarações constituem acusações feitas pelo vereador em plenário e, no discurso apresentado, não foram acompanhadas da documentação mencionada por ele.
Milanez também disse que, caso seja apresentado documento do Ministério da Saúde atribuindo ao governo federal a responsabilidade pelos problemas registrados no prontuário eletrônico nos últimos 60 dias, fará uma retratação pública.
“Se Vossa Excelência trouxer o documento do Ministério da Saúde justificando que eles foram os culpados pelo não funcionamento do prontuário eletrônico nos últimos 60 dias, eu venho a essa tribuna e me retrato com a cidade de João Pessoa”, afirmou.
Bruno Farias defende avanços na saúde
Em resposta, Bruno Farias defendeu os serviços municipais e argumentou que a melhora da assistência também eleva o grau de cobrança da população e dos agentes políticos.
O líder governista citou como exemplo o programa Remédio em Casa, retomado durante a gestão de Cícero Lucena e direcionado principalmente a idosos e pacientes que utilizam medicamentos de uso contínuo.
Bruno também classificou como “momentânea” a descontinuidade relacionada ao prontuário eletrônico e contrapôs a atual administração à gestão de Luciano Cartaxo.
Milanez voltou à tribuna e insistiu no convite ao ex-diretor do Trauminha, Alexandre César, além de citar o médico Luís Ferreira como outro nome que poderia participar de um debate sobre a rede municipal.
“Pode trazer o secretário de Saúde também, para a gente fazer aqui um amplo debate sobre saúde pública e a real situação da saúde de João Pessoa”, afirmou.
Ao final, o líder da oposição voltou a cobrar respostas objetivas da bancada governista.
“Para defender gestão não basta falar bonito no plenário. Tem que responder. E quando a resposta nunca vem, o rodeio começa a ficar constrangedor”, concluiu.

