A revista Piauí revelou, nesta terça-feira (19), detalhes de reuniões entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, Antonio Rueda, presidente do União Brasil, o empresário Kleryston Pontes Silveira e Ernildo Júnior, dono da Pix Bet, para a criação da casa de apostas Bet.Bet.
Segundo a reportagem, o grupo se reuniu ao menos quatro vezes na sede do Banco Master, em São Paulo, entre maio e setembro de 2024. Mensagens encontradas no celular de Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal, indicam que as negociações avançaram rapidamente. Em julho daquele ano, o banqueiro escreveu ao advogado Luiz Rennó: “Essa nossa bet vai arrebentar”.
Um memorando assinado em 29 de agosto de 2024 previa a divisão societária da empresa: 30% para a Bet Participações, ligada a Vorcaro; 30% para a HLD JT Participações, vinculada a Ernildo Júnior e Diomar Tadeu Dantas de Farias; 23% para a empresa de Kleryston; e 17% para a Jacka Participações, de Fortaleza. O documento previa mudanças nas participações após a obtenção da licença de operação.
A reportagem também aponta que Vorcaro teria papel central no financiamento do negócio. O memorando previa uma linha de crédito de até R$ 100 milhões, com possibilidade de indicação da instituição financeira pela Bet Participações. O banqueiro também teria o direito de indicar os diretores financeiro e jurídico da empresa.
De acordo com a Piauí, as mensagens mostram que Vorcaro planejava investir no mercado de apostas online e ampliar a divulgação da marca com artistas e personalidades conhecidas. O material também registra conversas sobre a possibilidade de expansão para cassinos físicos.
A publicação detalha ainda a ligação da operação com a Decola Operations, sediada em Curaçao, que detinha a marca Bet.Bet e uma licença de jogos emitida nas Ilhas Anjouan, no arquipélago de Comores.
As informações foram obtidas a partir do cruzamento de mensagens e documentos encontrados no celular do banqueiro. A reportagem descreve as negociações e a estrutura planejada para o negócio, mas os elementos citados, por si só, não comprovam a prática de lavagem de dinheiro.


